sábado, 16 de fevereiro de 2008

Os "Juchem" no Rio Grande do Sul – Brasil

-- P. Ruben Neis

* Este texto foi transcrito a partir de um jornal muito antigo.

Em 14 de maio de 1829 chegavam a São Leopoldo o alemão Frederico Juchem com sua mulher e cinco filhos, ascendentes da grande família Juchem do Rio Grande do Sul. Eram naturais de Moerschied, em Birkenfeld , na Alemanha. No brigue escuna "Florinda", que os trouxe do Rio de Janeiro a Porto Alegre, vieram embarcados 342 imigrantes alemães, entre os quais duas famílias Sander, duas famílias Schimitz, as famílias de Jacob Froner, Nicolau Alles, José Nedel e a de Felipe Winter, cujo filho mais velho, Guilherme mais tarde fundou a colônia de Bom Princípio "Winterschneiss".

Sua identificação

Conforme a relação remetida com o comandante do navio, a família Juchem compunha-se do casal "Frederico Juchem x Ana Isabel Weber" e dos filhos "João Pedro, Ana Elisabeth, João Frederico, Ana Catarina, Carlos, Mariana e Ana Carolina. Mas na relação do Dr. Daniel Hillebrand, feita uns anos mais tarde, não constam os filhos João Frederico e Mariana. Teriam falecido durante a viagem ou teriam ficado no Rio de Janeiro, como aconteceu com tantos outros? Na verdade, nunca mais são encontrados seus nomes nos livros de registros. Pela relação do Dr. Hillebrand ao chegar a São Leopoldo, Frederico Juchem tinha 33 anos, sua mulher 40, João Pedro 14, Ana Elisabeth 13, Ana Catarina 10, Carlos 6 e Ana Carolina tinha apenas 2 anos, pois nasceu aos 7 de janeiro de 1827.

O sobrenome da família aparece com diversas modalidades. Na lista do Dr. Hillebrand consta "Joaquim", o que é falha evidente. Na lista que acompanhou o comandante do navio e em alguns documentos se lê "Juchem". As filhas, ao casarem na igreja evangélica, constamcomo "Jochem", pelo que se deprende da obra de Wilhelm Wolf "Deutsche Einwanderer in São Leopoldo 1824-1937". A assinatura mais antiga que encontrei em documentos católicos é de 1844, em que o filho João Pedro, já casado há diversos anos, se assina "Juchem". Assim também está escrito o sobrenome do outro filho, Carlos, em seu casamento de 1852 e em outros documentos. Foram estes dois filhos, João Pedro e Carlos, que legaram o nome aos descendentes, pois da parte de suas três irmãs o sobrenome "Jochem" desapareceu com o casamento. Parece que as formas "Jochem" e "Jochum" eram a pronúncia no dialeto, e "Juchem" a forma certa. No registro de batismo de alguns filhos João Pedro consta como "Jochem", em outros "Jochum", talvez devido à maneira de pronunciar dos padrinhos: mas na mesma época ele se assinava "Juchem".

Os Juchem estabeleceram-se em São José do Hortêncio, de onde mais tarde seus filhos e netos partiram para outras regiões, encontrando-se hoje esse nome em todo o Rio Grande do Sul, inclusive nas cidades de Porto Alegre, Novo Hamburgo e Caxias do Sul. É o processo que ocorreu com a maioria das famílias daquele tempo, que e estabeleceram inicialmente em São Leopoldo, Dois Irmãos e São José do Hortêncio, e dali foram acompanhando o avanço da colonização pelos vales do Caí, do Taquari e, mais tarde, por todo o Rio Grande.

As Três Filhas

Os "Juchem" pertenciam à Igreja evangélica ao chegarem ao Brasil, em 1829. Frederico Juchem e sua mulher ainda constam como evangélicos em 1852, por ocasião do casamento de seu filho Carlos na igreja católica. Certamente faleceram evangélicos, pois seus registros de óbitos não constam nos livros da igreja católica.

Das três dilhas, a mais velha casou na igreja católica, mas parece que anteriormente já era casada na igreja evangélica. As outras duas casaram na igreja evangélica.

Ana Isabel, a mais velha das três, casou com Carlos Roth, natural de Bahlenberg, em Birkenfeld, segundo informa Wilhelm Wold na obra acima citada. Ainda conforme esse autor, Carlos Roth pelo ano de 1839 era colono em Dois Irmãos, e posteriormente foi açougueiro em Porto Alegre. Também é verdade que pelo ano de 1840 Ana Isabel, certamente depois da morte de seu primeiro marido, se tornou católica e casou com Henrique Hensel, nascido em Diekenseheidt, na Alemanha, filho de João Hensel, com o qual teve filhos a partir de dezembro desse ano. Residiam em São José do Hortêncio, onde Henrique Hensel faleceu em 15 de fevereiro de 1890, com 70 anos, e Ana Isabel em 10 de maio de 1905, com 90 anos de idade. Entre seus filhos constam: Felisberta (1840), Frederico (1844), Maria (1849), José (1851), Bárbara (1853), Henrique (1855), Carlos (1858), e João Adão (1860). O registro do casamento não se encontra. Da paróquia de Santana do Rio dos Sinos, à qual pertenciam, faltam os registros de 1838 a 1842, época da revolução farroupilha.

Ana Catarina, a segunda filha de Frederico Juchem casou na igreja evangélica com Guilherme Jacob Maurer, segundo informa Wilhelm Wolf. Parece que o filho mais velho, também chamado Guilherme, nasceu pelo ano de 1837. Residiam em São José do Hortêncio, naquele tempo ainda denominada Picada Rio Cadeia. Em 25 de junho de 1874, na localidade de Campo Bom, foram assassinados pelos muckers um certo Jacob Maurer e seu filho Guilherme. Moacyr Domingues, em obra ainda inédita sobre os muckers, supõe tratar-se do genro e do neto de Frederico Juchem.

Ana Carolina, a terceira das filhas do imigrante Frederico Juchem, nascida em 7 de janeiro de 1827, casou no dia 7 de maio de 1848 na igreja evangélica com o ferreiro Johann Wilhelm Fritsch, natural de Poetzbeuren, no Hunsrueck, residente em São José do Hortêncio, filho de João Jacob Fritsch e Maria Hahr.

João Pedro Juchem

O filho mais velho dos imigrantes Juchem chamava-se João Pedro Juchem, mas era mais conhecido pelo nome abreviado de Pedro Juchem. Casou pelo ano de 1836 com a católica Margarida Hensel, irmã de Henrique Hensel de que tratamos linhas acima. A família Hensel, composta do vivo João Hensel e seus filhos Ana Cristina, João Jacob, Maria Isabel, João Henrique, Margarida e Ana Maria, havia chegado a São Leopoldo em 16 de dezembro de 1827, juntamente com a família de João Jacob Fritsch, de que também tratamos linhas acima.

Há um regulamento do ano de 1844, feito para a comunidade católica de Picada Rio Cadeia. Entre os signatários consta com assinatura bem caligrafada "Peter Juchem", o que atesta sua passagem para a igreja católica. Sua mulher, Margarida Hensel, faleceu em 21 de maio de 1879 com 59 anos de idade.

Os filhos de Pedro Juchem devem ter nascido a partir de 1837, pois o mais velho casou em 1858. Entre os possíveis outros encontram-se os seguintes: Pedro, que casou em 1958 com Catarina Werlang; Carlos, que casou em 1859 com Isabela Martini e são os ancestrais dos drs. Ari e Paulo Juchem, de Porto Alegre; João (1843), que casou em 1864 com Florinda Koch; Catarina (1846), que casou em 1864 com Jorge Reichert; Frederico (1849), que casou em 1869 com Susana Franzen; Elizabeth (1851), que casou em 1878 com João Koch; José (1856), que casou em 1875 com Catarina Koch; e Nicolau (1858), que casou em 1877 com Luiza Dullius.

Os filhos e genros de Pedro Juchem ficaram morando quase todos no atual município de São Sebastião do Caí, nas localidades de São José do Hortêncio, Arroio Bonito e Campestre. João, pelo ano de 1884 foi residir em Pareci; Nicolau depois de 1885 fixou residência em Tupandi, no município de Montenegro, onde se multiplicaram seus descendentes. Mas as centenas de netos e bisnetos de Pedro Juchem se espalharam por todo o Rio Grande. É admirável o grande número de dentistas que há entre eles.

Carlos Juchem

O outro filho do imigrante Juchem chamava-se Carlos. Convém notar que na família Juchem repetiram-se no século passado com freqüência certos nomes, principalmente os do casal de imigrantes e de seus filhos. São por isso muito comuns os de Pedro, João, Carlos, Frederico, Isabel e Catarina. Para se identificar alguém com um desses nomes, é necessária muita precaução, senão facilmente se confunde um com outro.

Carlos Juchem, filho de Frederico Juchem e de Ana Isabel Weber, casou na igreja católica de São Leopoldo, aos 9 de fevereiro de 1852 com Teresa Schoffen, filha de Martinho Schoffen e de Catarina Schoffen. No registro do casamento consta que ele prometeu que todos os "filhos masculinos e femininos seriam católicos romanos". Vinte e quatro anos mais tarde, aos 26 de setembro de 1876, depois de já nascidos todos os seus filhos e já casados alguns, Carlos Juchem tornou-se católico, em cerimônia realizada na igreja matriz de Tupandi, perante o vigário Matias Pfluger e as testeminhas João Pedro Mallmann e Jacob Nick.

[texto ilegígel]... Carlos havia fixado residência em São José do Hortêncio, mas pelo ano de 1860 se transferiu para Tupandi. Entre os filhos descobri os seguintes: Pedro (1852), que casou em 1875 com Margarida Schaedler; Isabel (1854), que casou em 1875 com Pedro Dapper; Catarina (1856) que casou em 1875 com João Rambo; Maria (1859), que casou em 1882 com João Schmitt; Ana, nascida em 1862; Teresa (1864), que casou em 1885 com Sebastião Pellenz; Carlos (1866), que casou em 1888 com Bárbara Schmitz; Bárbara, nascida em [texto ilegível]; Margarida, nascida em 1871; Jacob (1874), que casou em 1894 com sua parenta Catarina Juchem, filha de Nicolau Juchem e Luiza Dullius.

O filho Carlos, de profissão alfaiate, que em 10 de ju[texto ilegível] de 1888 casou na igreja matriz de Tupandi, com Bárbara Schmitz, transferiu-se pelo ano de 1890 para a região do alto Taquari. Este casal em 10 de maio de 1892 teve gêmeos, que devido ao perigo de vida foram imediatamente batizados por Eva Deves Loch com água de socorro. Levados no dia seguinte ao oratório de La Vendelino, na paróquia de Lajeado, para suprimento das cerimônias do batismo, receberam os nomes de Reinaldo e Albino. Vinte e quatro anos mais tarde, no dia 25 de abril de 1916, os gêmeos receberam juntos a ordenação sacerdotal e mais tarde foram nomeados cônegos. Cônego Albino durante quase toda a sua vida sacerdotal foi pároco de Venâncio Aires; Cônego Reinaldo foi durante muitos anos capelão em Canoas, e depois pároco de Estrela, passando seus últimos anos em companhia do irmão gêmeo em Venâncio Aires, onde ambos faleceram.

Da família Juchem ainda outros descendentes ingressaram na vida religiosa.

Um comentário:

Gabrieli Juchem disse...

fiquei muito feliz de saber da história dos meus antepassados...sou uma 'JUCHEM' e me orgulho muito do meu sobrenome alemão!